Conheço Portugal relativamente bem, mas não muito o interior, confesso. Como adoro mar e praia, normalmente, sempre que escolho um destino cá dentro é no litoral. O Gerês é o único local onde vou frequentemente que não tem mar.
Desta vez, e especialmente porque no Outono e Inverno não vale a pena ir para o Litoral por causa do mar, resolvi passar uns dias no Alto Douro e Trás-os-Montes. Há mesmo muitos anos que não passava por lá! E foi uma óptima escolha. Apenas com uma dificuldade.
Lamego
A primeira paragem foi Lamego. Chegámos já de noite à Quinta CasalDronho, um hotel vínico com uma localização privilegiada: fica a 350 metros de altitude numa propriedade com 15 hectares de vinha. Estava ansiosa por acordar e ver a vista da janela do quarto, mas infelizmente não foi possível: estava um nevoeiro tão cerrado que não se via mesmo nada, só névoa. Tive azar, pelo que me disseram nos dias anteriores não esteve assim. Não consegui tirar nenhuma fotografia, ficam as que me inspiraram a visitar a Quinta CasalDronho e a promessa de voltar na Primavera – tem uma piscina linda:
A primeira manhã destes dias no Alto Douro e Trás-os-Montes foi passada no Parque Biológico de Lamego. O Parque Biológico fica na Serra das Meadas, a uma altitude de 1000 metros e tem uma área de 50 hectares. Por lá existem animais em cativeiro e animais em liberdade. Os animais são provenientes de centros de recuperação que por não reunirem as condições necessárias para a sua devolução ao ambiente natural, ficam a viver no parque. Para quem não sabe, existem centros de recuperação por todo o país onde é possível entregar animais que precisam de tratamento – excepto animais domésticos. Já entreguei no de Gaia uma gaivota que encontrei ferida. Quando recuperou, foi devolvida à natureza. É incrível, o animal fica com um número atribuído e quem quiser pode ligar ou enviar um email para ir acompanhando o seu estado de saúde. Para estes parques vão também animais apreendidos de cativeiros ilegais. Os animais que são considerados irrecuperáveis ( ou seja os animais que não conseguem sobreviver na natureza, ou porque nasceram em cativeiros ilegais, ou porque foram maltratados, ou porque têm algum problema de saúde) ficam a viver nestes parques biológicos.
Na entrada do Parque Biológico de Lamego encontrei uma ave cujas asas foram amputadas por maldade pelo antigo criador. É inacreditável, mas é mais frequente do que se pensa. Agora vive no parque, livre e tranquila. Quando cheguei à recepção do parque, esta ave – que não me recordo da espécie – estava dentro do escritório. Depois saiu, aos saltinhos, e veio dizer ‘olá’ (diz mesmo ‘olá’, com uma voz semelhante à humana, é mesmo engraçada).
Algumas destas fotografias foram tiradas por mim, outras são do site do Parque Biológico de Lamego.
Passámos a manhã toda a passear pelo parque. Embora estivesse um dia muito frio, o nevoeiro não estava nesta zona o que foi óptimo, caso contrário o passeio não seria tão bonito. O Parque Biológico de Lamego é mesmo maravilhoso para passar algumas horas ou até o dia todo. Nem parece um parque, parece que natureza em estado puro.
Pinhão
Sempre quis ir ao Pinhão, especialmente de comboio do Porto e regresso de barco. Desta vez fui de carro, mas teve na mesma muito encanto. Ficámos no The Vintage House Hotel que tem uma localização privilegiada: situa-se em frente ao rio douro, a maioria dos quartos são virados para a frente, e fica a poucos metros da estação de comboio (tem até uma entrada directa da estação para o hotel). Ou seja, quer se vá de carro, de comboio ou de barco sai-se literalmente à porta.

À noite estava na varanda do quarto e comecei a ouvir o rio. É verdade, é um local com uma paz e tranquilidade tão grandes que chega a ouvir o silêncio.
O The Vintage House é um hotel de luxo que vale muito a pena conhecer, nem que seja como eu para apenas uma noite. Tem uma localização privilegiada como nenhum outro no Pinhão. E o staff é incrivelmente simpático e atencioso. Isto já sem falar na vista deslumbrante, na piscina e nos serviços complementares. Os quartos são super confortáveis e acolhedores, assim como todo o hotel. Senti-me mesmo bem aqui.
Para quem não sabe, gosto muito de vinho. Muitas vezes biológico, outras não. No restaurante do The Vintage House, encontrei um dos melhores vinhos que já bebi da região do Douro, com um sabor muito particular e diferente: Oboé Reserva branco. Comprei duas garrafas na loja de vinhos do The Vintage House, para trazer para casa. Estava à espera de ser um vinho caro e não: 9€ cada garrafa. Fiquei surpreendida pela positiva. Os preços dos vinhos nesta loja são mesmo muito bons. No Porto também temos uma loja assim no The Yeatman Hotel, que pertence ao mesmo grupo do The Vintage House, e onde é possível encontrar uma boa oferta a preços muito bons.
No dia a seguir fomos visitar a Quinta da Roêda. Esta quinta abriu as suas portas não há muito tempo e já recebeu muitos visitantes, quer turistas nacionais, quer estrangeiros. Na Roêda é possível ter uma autentica experiência vínica: desde visitar as vinhas e apreciar a deslumbrante paisagem, até fazer degustação de vinhos, passando pela pisa da uva nos lagares. É uma propriedade da Croft onde até piqueniques com produtos regionais é possível fazer nos meses mais quentes (adorei esta ideia)!
Gosto muito de vinho do Porto e descobri nesta visita que existe um vinho biológico do Porto, o Fonseca Terra Prima Porto Reserva! Não tive oportunidade de o provar na altura, é da Quinta do Panascal que também pertence à Croft, mas mal o encontre quero experimentar.
Trouxe para casa o primeiro Vinho do Porto Rosé, com o qual é possível fazer vários cocktails. Aqui estão disponíveis várias receitas. Gosto muito de Porto Tónico e fiquei a saber que não é considerada uma “heresia” como pensava (achava que para os produtores de vinho e os verdadeiros entendidos, fazer misturas seria estragar o vinho). Acho que vou gostar muito dos cocktails. A garrafa está guardada para experimentar no Verão.

Depois da visita à Quinta da Roêda, fomos de comboio para o Pocinho. Uma viagem que dura cerca de uma hora e cujo percurso é deslumbrante! Já tinha feito Porto-Pocinho quando era adolescente, mas na altura não liguei nenhuma. Desta vez, fiquei maravilhada. A linha de comboio passa entre a montanha e o rio, parece quase impossível existir ainda uma viagem de comboio tão bonita. Para além dos comboios regulares, a CP disponibiliza alguns programas turísticos sazonais na linha do Douro: a Rota das Amendoeiras, Comboio Histórico e Festa das Vindimas. Para o ano quero muito ir no Comboio Histórico.

Chaves
Depois do Pinhão, fomos para Chaves, mais precisamente para uma localidade perto de Chaves, o Redendelo. Ficámos no Casas Novas Countryside, um Hotel construído num solar do século XVIII mesmo muito bonito. Infelizmente começou a chover bastante nesse dia e não conseguimos passear. Aliás, perto de Redondelo as estadas estavam cortadas por causa da neve. Nunca pensei que estivesse já a nevar, mesmo naquela zona!
Não consegui aproveitar devidamente o espaço, nem esta zona, e o tempo não permitiu fotos. Fica aqui um cheirinho com fotografias do site do hotel.
Tínhamos planeado continuar para o Pena Aventura Parque e depois para o Pena Park Hotel, mas regressámos ao Porto dois dias antes do previsto por causa do mau tempo. Temos de voltar na primavera.
No inicio deste post escrevi que tinha tido apenas uma dificuldade. E não, não foi este pequeno obstáculo do mau tempo. Foi a comida. Já existem algumas opções vegetarianas nos Hotéis, é verdade, mas dificulta bastante não existir mais variedade e a oferta não ser extensível também a outros restaurantes não tão turísticos. Todas as regiões têm excelentes produtos que dão para preparar pratos vegetarianos. O Alto Douro e Trás-os-Montes não é excepção. De qualquer forma, encontrei um risoto de cogumelos muito bom no Restaurante Vindouro, sopinha sempre boa em todo o lado, algumas tapas vegetarianas num Wine Bar no Pinhão e comi também um bocadinho de Bacalhau (já não comia peixe há imenso tempo, não me soube nada bem). De qualquer forma esta dificuldade não é exclusivamente desta região, claro, só nas cidades portuguesas maiores é que é fácil encontrar diversidade.
Vale mesmo a pena visitar o Alto Douro e Trás-os-Montes, aliás como todas as regiões portuguesas, que são tão diferentes e bonitas! Na primavera hei-de voltar para conhecer outros locais.

































OLÁ DIANA,
ESTUDEI EM VILA REAL, PORTANTO DEVO ADMITIR QUE TENHO UMA PAIXÃO POR ESTA ZONA DE PORTUGAL. ACHO-A DESLUMBRANTE!
EM RELAÇÃO ÀS OPÇÕES VEGETARIANAS EM CHAVES EXISTE UM RESTAURANTE “PAPRIKA E CACAU” QUE TEM UM CUSCUZ DE LEGUMES MESMO BOM!
EM LAMEGO, REALMENTE TIVE MUITAS DIFICULDADES, FELIZMENTE NO HOTEL QUE FIQUEI HAVIA OPÇÃO. MAS SIM, É SEMPRE UMA DIFICULDADE. TAL COMO TU, ADORO O GÊRES, E SEMPRE QUE LÁ VOU JÁ SEI QUE TENHO QUE IR COM COMIDA ATRÁS! IHIHIH 🙂
BEIJINHOS***
Obrigada, numa ida a Vila Real tenho de experimentar o Paprika e Cacau. 🙂 Também adoro o Gerês e é mesmo difícil. Normalmente passo antes por Braga, pelo Semente – que é um dos melhores em Portugal – e abasteço-me :)) Beijinho